Não sei muito sobre a vida e a morte, nem posso dizer que saiba muito sobre o bem e o mal, ou a alegria e a tristeza.
Sei o que a vida me deixou aprender, e sei o que consegui retirar do que se chamam lições de vida.
Não sou a pessoa mais inteligente do mundo, não sou a mais perspicaz, não serei a mais paciente, a mais calma, o culminar da inocência, a ingenuidade pura, nem serei o melhor ou o pior de tudo, ou em algo.
Considero-me mediano, completamente mediano, não sou normal, ou comum, mas sou mediano, não sou especial, nem mais nem menos que a maioria das pessoas.
Tenho noção que a sabedoria é algo que se adquire durante a vida por vontade própria, não se absorve, não se depreende por simples contacto, é preciso querer, é preciso reflectir no tema, no assunto, nos problemas, no que queremos aprender, é preciso pensar muito bem e tentar juntar a lógica necessária para obter uma ideia geral sobre aquele tema.
A sabedoria acaba por ser o arquivar das experiências da vida, do modo que mais nos convém.
As pessoas são diferentes no meio de tanta coisa em comum, no meio de tanta mediocridade, e digo isto não no sentido depreciativo, mas a realidade é que o ser humano é em si o paradoxo da diferença na igualdade do ser.
Somos todos capazes dos gestos mais bonitos, dos mais feios, somos todos capazes de fazer bem e fazer mal.
Isto tudo para dizer que sou a anormalidade dentro do habitual, tenho tanto de diferente como tenho de comum com qualquer outra pessoa.
Acho que todos somos capazes de gostar de alguma coisa, ou de alguém, não interessa a intensidade, a frequência, não se impõem qualidade ou quantidade, o valor da paixão será sempre subjectiva.
Eu de maneira anormal gosto de alguém. Gosto de alguém à minha maneira, como acho que ninguém poderá alguma vez gostar, porque não são eu. Gosto de alguém porque gosto, não é segredo esta minha simplicidade no gesto de sentir afecto.
Se calhar pela primeira vez não sofro por gostar, apenas me compadeço por não ser compreendido.
Gosto, e quero, desejo o carinho de alguém como quem deseja ter um dia bom. Sentimento mais que normal e natural, algo que desejo todos os dias, um dia bom em que seja feliz, em que aconteçam mais coisas boas que más, um dia em que tu sejas comigo o que já foste muitas vezes, e por algum motivo me privaste de voltar a ver.
Sou paciente, sou persistente, sou porque gosto, senão se calhar não era, e não sei deixar de gostar, porque não quero deixar de gostar.
No fundo não estou entre a espada e a parede, eu sou a parede que deseja a espada.
Não faço segredo do que sinto, e tenho sempre imensa vontade em partilhar os meus sentimentos contigo, mas penso agora que se calhar isso faz de mim fraco, ou sufocante perante os teus olhos. Lamento não conseguir deixar de expressar o que sinto por ti, lamento não saber controlar esta vontade de te mimar e fazer bem.
É mais forte que eu querer proteger-te, querer cuidar de ti, gostar de te fazer rir, ser o motivo de um teu sorriso.
Não vou conseguir deixar de gostar de ti, porque não o quero fazer, nem seria capaz.
Vou continuar a gostar de ti, porque é o que sinto vontade de fazer. Mentia se tivesse a audácia de dizer que não me interessa o que tu pensas, ou o que sentes, mas mais uma vez digo que os meus sentimentos não necessitam da tua reciprocidade para existirem.
Sei que me posso magoar, que posso chorar, posso sentir a tua falta, sentir-me esquecido, posso dizer que estás distante, que me sinto baralhado e confuso pelas mensagens distintas que mandas. Sei que só posso esperar por ti, que só tenho que aceitar aquilo que és e quem és, e que foi por isso mesmo que acabei a gostar de ti.
Sei que não te é possivel dar o que mais almejo, sei que as coisas não são fáceis, sei que se calhar nem tens grandes razões ou motivos para gostar de mim, mas não me podes julgar por querer esperar, ou por morder a esperança de forma a alimentar a minha vontade.
Gosto de ti, e sei que já sabes disso, não existe mais razões para o voltar a dizer. E por aqui me fico. Fico à espera com a esperança, estendendo a mão que não te alcança, onde te ofereço o meu saber ser, a minha singela e errática maneira de gostar.